Como montar um encarte de ofertas que realmente vende: dicas de layout, escolha de produtos e frequência ideal
No varejo, criar um encarte de ofertas pode parecer uma tarefa simples: selecionar alguns produtos, definir preços promocionais e distribuir para os clientes.
Mas, na prática, muitos supermercados e lojas acabam investindo tempo e dinheiro em materiais que não geram resultado real, e o problema raramente está nos produtos anunciados. Na maioria das vezes, o que falta é estratégia.
Um encarte eficiente não serve apenas para divulgar promoções. Ele funciona como uma ferramenta comercial capaz de atrair clientes, aumentar o ticket médio e acelerar o giro de estoque. Quando bem planejado, deixa de ser apenas uma peça promocional e passa a ser um dos principais ativos de vendas do negócio.
Neste artigo, você vai entender como montar um encarte de ofertas que realmente vende, desde a análise inicial até a distribuição física e digital.
O que eu preciso para fazer um encarte de ofertas?
Antes mesmo de abrir qualquer software de design, é importante reunir três informações fundamentais:
- Relatório de vendas dos últimos 30 dias
Analise os produtos com maior volume de vendas e melhores margens. Esses dados ajudam a identificar:
- Itens de alto giro;
- Produtos com maior potencial promocional;
- Produtos que podem funcionar como chamariz.
Sem essa visão, fica difícil saber quais produtos realmente impactam o comportamento de compra.
- Verba promocional de fornecedores
Verifique quais fornecedores estão dispostos a participar das ações comerciais com:
- Descontos promocionais;
- Bonificações;
- Materiais de divulgação.
Esse apoio pode mudar completamente a viabilidade de uma oferta.
- Pesquisa de preços da concorrência
Monitore os preços praticados pelos concorrentes mais próximos, sobretudo em categorias sensíveis como arroz, feijão, óleo, leite, café, carnes e produtos de limpeza.
Essa pesquisa precisa ser atualizada toda semana, já que os preços de varejo mudam rapidamente.
Com essas informações em mãos, o planejamento se torna muito mais assertivo.
Passo 1: defina o objetivo do encarte
Antes de escolher qualquer produto, é essencial responder:
Qual é o objetivo principal deste encarte?
Um encarte deve ter apenas um objetivo principal. Quando tenta fazer tudo ao mesmo tempo, no geral não entrega nada com consistência.
Os três objetivos mais comuns são:
Atrair novos clientes
Nesse caso, o foco está em produtos de alta percepção de preço.
Exemplo:
- Arroz;
- Leite;
- Óleo de soja;
- Frango.
O objetivo aqui é gerar fluxo.
Aumentar o ticket médio
A estratégia passa a ser estimular compras adicionais com:
- Combos;
- Kits;
- Produtos complementares.
Exemplo:
Macarrão + molho de tomate + queijo ralado.
Girar estoque parado
Aqui, o foco está em reduzir produtos encalhados com ofertas estratégicas e prazo limitado.
Definir esse objetivo antes de começar evita decisões conflitantes durante a montagem.
Passo 2: escolha os produtos-âncora
Os produtos-âncora são aqueles que fazem o consumidor parar e olhar seu encarte. Com frequência, um encarte eficiente trabalha com variação de 5 a 10 produtos-âncora.
Para um item ser considerado âncora, ele precisa atender quatro critérios:
Ser reconhecido pelo consumidor
São produtos cujo preço o cliente costuma conhecer.
Exemplos:
- Arroz;
- Leite;
- Café;
- Óleo;
- Papel higiênico.
Ter alto giro
Produtos que já vendem bem tendem a responder melhor a promoções.
Possuir margem saudável
Nem todo produto suporta desconto sem comprometer a rentabilidade.
Ter estoque garantido
Não adianta gerar demanda se o produto vai faltar na loja.
Escolher produtos-âncora de maneira correta é o que determina se o encarte vai gerar tráfego ou então, passar despercebido.
Passo 3: defina preços-chamariz de forma inteligente
O preço-chamariz é o que faz o cliente pensar: “está mais barato aqui.” Mas chamar atenção não significa sacrificar margem.
Uma prática eficiente é posicionar os produtos-chamariz entre 15% e 25% abaixo da média dos concorrentes locais.
Para proteger a operação, é importante aplicar algumas regras:
Limite por cliente
Exemplo: máximo de 2 unidades por CPF ou cupom.
Isso evita concentração de estoque em poucos compradores.
Prazo curto
Ofertas entre 3 e 7 dias costumam gerar mais urgência.
Exemplo: “somente de sexta a domingo.”
Margem mínima definida
Antes de divulgar qualquer oferta, determine o limite mínimo de rentabilidade aceitável.
Um erro comum é exagerar na quantidade de produtos-chamariz. O ideal é que eles representem apenas uma pequena parte do encarte.
Passo 4: combine produtos de atração com produtos de margem
Encarte que só oferece produtos baratos atrai clientes, mas pode não gerar lucro.
Por isso, é importante equilibrar:
Produtos de atração: responsáveis por gerar fluxo.
Produtos de margem: responsáveis por rentabilizar a compra.
Algumas categorias que costumam oferecer margens mais altas:
- Perfumaria;
- Produtos premium de limpeza;
- Alimentos processados.
Outra estratégia poderosa é usar combos.
Exemplos:
- Café + açúcar + biscoito;
- Massa + molho + queijo;
- Cerveja + petiscos.
Isso aumenta o número de itens por compra.
Passo 5: monte a hierarquia visual
No encarte, o consumidor decide em segundos se vai prestar atenção ou ignorar. Por isso, a organização visual faz toda a diferença.
Regras fundamentais de layout
- Destaque o preço: o preço deve ser maior que o nome do produto;
- Use fotos reais: o consumidor precisa reconhecere o item anunciado;
- Trabalhe com poucas cores:
- Cor principal;
- Cor de destaque;
- Cor de apoio.
- Use tipografia legível: fontes limpas e de fácil leitura funcionam melhor, em especial nos preços;
- Posicione os produtos do jeito certo: os produtos mais estratégicos devem ocupar as áreas de maior atenção visual.
Passo 6: escreva ofertas de forma objetiva
O texto de uma oferta precisa ser claro e direto.
A estrutura ideal é:
Nome do produto
Exemplo: arroz Tipo 1 – 5kg
Preço
O elemento mais importante visualmente.
Benefício (opcional)
Exemplo: ideal para a semana.
Prazo
Exemplo: somente até domingo.
Evite termos genéricos como:
- Oferta imperdível;
- Super promoção;
- Preço incrível.
O consumidor responde muito mais ao número do que ao adjetivo.
Qual a frequência ideal para atualizar o encarte?
A maioria dos supermercados independentes trabalha melhor com:
- Encarte semanal, ideal para criar hábitos de compra;
- Encarte quinzenal, que pode reduzir custo operacional;
- Encarte mensal, para produtos de menor giro.
Também é possível trabalhar ações temáticas, como “Terça Verde”, oferecendo promoções de hortifruti. Ou a “Quinta da Carne”, com ofertas específicas do açougue.
Essa combinação ajuda a manter a frequência sem sobrecarregar a operação.
Onde e como distribuir o meu encarte?
Hoje, depender apenas do material impresso limita o alcance da campanha.
O ideal é combinar distribuição física e digital.
Distribuição física
- Porta a porta no entorno da loja;
- Entrada do supermercado;
- Frente de caixa;
- Parcerias com comércios locais.
Distribuição digital
- WhatsApp: listas segmentadas aumentam relevância.
- Redes sociais: principalmente Stories e posts verticais.
- Mídia paga local: campanhas geolocalizadas ajudam a atrair novos clientes.
A repetição da mensagem em diferentes canais aumenta muito a conversão.
No fim das contas, um encarte de ofertas que realmente vende não depende apenas de design ou desconto agressivo, mas sim de dados, planejamento e execução consistente.
Quando esses elementos trabalham juntos, o encarte deixa de ser uma despesa de marketing e passa a ser uma ferramenta previsível de crescimento no varejo.
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