Reforma Tributária: o que muda para supermercados e pequenos varejistas em 2026
A partir de 2026, supermercados, mercadinhos, padarias e pequenos varejistas enfrentarão uma das maiores mudanças tributárias das últimas décadas. A Reforma Tributária sobre o Consumo (sancionada pela Lei Complementar nº 214/2025) altera totalmente a forma como os impostos são cobrados, impactando diretamente o dia a dia do varejo: precificação, cadastro de produtos, emissão de notas, conferência fiscal e gestão operacional.
Para quem vive a rotina intensa do balcão, o desafio é entender de forma simples, prática e sem juridiquês o que realmente muda, e como se preparar.
Neste artigo, você vai entender:
- Quais tributos deixam de existir e quais entram no lugar;
- Como a nova lógica impacta preços, notas fiscais e o controle do estoque;
- Riscos, oportunidades e pontos de atenção;
- Como sistemas de gestão, como o SysPDV, tornam a adaptação mais fácil.
1. O que muda com a Reforma Tributária?
A mudança central é a substituição de cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por apenas dois:
- CBS – contribuição federal sobre bens e serviços;
- IBS – imposto estadual e municipal sobre bens e serviços.
Os dois juntos formam o IVA Dual, um modelo adotado por diversos países para simplificar e dar mais transparência ao sistema tributário.
Por que isso importa para supermercados e pequenos varejistas?
Porque esses estabelecimentos operam com:
- grande variedade de produtos;
- fornecedores diferentes;
- volumes altos de vendas;
- margens estreitas;
- operação fiscal complexa.
Simplificar os tributos pode reduzir burocracias. Mas isso também exige revisar cadastros, atualizar sistemas e ajustar a forma de vender e emitir notas.
O que muda na emissão de notas fiscais (NF-e e NFC-e)?
Substituição de tributos e novos campos obrigatórios
Com a entrada do IBS e da CBS, as notas fiscais eletrônicas (NF-e e NFC-e) passam a exigir novos campos específicos para destacar esses tributos. O consumidor verá com mais clareza quanto está pagando de imposto em cada compra, o que aumenta a transparência, mas também exige maior precisão na emissão.
Adequação de sistemas de emissão
ERPs e sistemas de PDV precisam ser atualizados para:
- suportar os novos layouts de notas fiscais;
- aplicar corretamente as regras de cálculo do IBS e da CBS;
- garantir conformidade com a padronização nacional.
Empresas que dependem de processos manuais ou sistemas desatualizados correm maior risco de rejeições de notas, erros fiscais e retrabalho operacional.
Simplificação no cálculo, mais dependência da tecnologia
A expectativa é de um cálculo mais direto, sem “imposto sobre imposto”. No entanto, essa simplificação só se concretiza se o sistema de gestão estiver preparado para aplicar automaticamente as regras corretas, sem intervenção manual a cada venda.
2. Quais os principais impactos no varejo alimentar?
2.1. Simplificação e redução de burocracia
O objetivo do IVA Dual é diminuir a complexidade tributária, reduzindo tempo e custo com:
- apuração de impostos;
- escrituração fiscal;
- conferência de notas;
- adequações contábeis.
Em vez de lidar com cinco legislações diferentes, o varejista passa a trabalhar com duas regras principais (CBS e IBS). Mas atenção: a transição exige organização prévia, especialmente nos sistemas de gestão.
2.2. Alíquotas diferenciadas: zero, reduzida e padrão
A Reforma cria três cenários:
Alíquota Zero — Cesta básica nacional
Produtos definidos na cesta básica terão isenção total de IBS e CBS.
Isso tende a:
- baratear preços ao consumidor;
- aumentar a demanda por esses itens;
- exigir precisão absoluta na classificação fiscal.
Alíquota Reduzida — Redução de 60%
Itens como:
- alimentos fora da cesta básica,
- medicamentos,
- produtos de higiene pessoal,
- limpeza doméstica,
passam a ter alíquota reduzida em 60% da taxa padrão do IVA.
Para supermercados, isso significa ajustar cadastros e garantir que cada item esteja na categoria fiscal correta.
Alíquota Padrão
Demais produtos seguem a alíquota cheia.
2.3. Crédito Tributário Amplo
A nova legislação amplia a recuperação de créditos ao longo da cadeia produtiva.
Isso reduz o efeito cascata dos impostos atuais.
Para o varejo, isso se traduz em:
- menor acúmulo de custos invisíveis;
- margens mais previsíveis;
- necessidade de cadastro correto dos fornecedores e NCMs.
2.4. Cashback para população de baixa renda
Parte do imposto será devolvida a famílias de baixa renda.
Isso deve:
- aumentar a circulação de renda;
- elevar o consumo nos varejos de bairro;
- exigir atenção na emissão correta dos tributos para que o cashback seja validado.
3. Tributação no destino e impacto nos preços
A Lei Complementar nº 214/2025 determina que o imposto será cobrado no destino, ou seja, no local onde o produto é consumido, não onde é vendido.
Isso altera a lógica de precificação para redes e varejistas que vendem para outros municípios ou estados.
O que isso significa na prática?
- Estados e municípios terão autonomia para definir a alíquota do IBS;
- O mesmo produto pode ter preços diferentes dependendo da localização do cliente;
- O varejista precisará ajustar a precificação conforme o destino da mercadoria.
Exemplo realista:
Um item custa R$ 100,00.
- IBS São Paulo: 18%
- IBS Minas Gerais: 15%
Se a venda for para Minas, o imposto calculado é menor, mas o preço final ao consumidor pode ser maior ou menor conforme a política comercial da empresa.
Varejistas terão duas opções:
- Absorver a diferença e manter preços uniformes;
- Repassar a diferença ao consumidor, criando variações regionais.
Isso exige sistemas que permitam:
- precificação dinâmica;
- ajustes automáticos por região;
- integração fiscal completa.
4. Cálculo “por fora”: mais clareza no preço final
Com a Reforma, CBS e IBS passam a ser calculados por fora — ou seja, o imposto não compõe o próprio imposto.
Exemplo:
- Preço do produto: R$ 100,00;
- IVA (IBS + CBS): 28%.
Tributo: R$ 28,00
Preço final: R$ 128,00
Isso traz mais transparência para o consumidor, e exige que o sistema do varejista faça o cálculo correto para não gerar erros fiscais.
5. Riscos e desafios para o varejo
Mesmo com a simplificação prometida, existem pontos sensíveis que precisam de atenção.
5.1. Classificação fiscal (NCM) correta
Esse será um dos maiores desafios.
Bastam pequenas inconsistências para gerar:
- pagamento incorreto de tributo;
- perda de créditos;
- autuações;
- divergências na escrituração.
Para supermercados, que têm milhares de SKUs, isso precisa ser tratado com cuidado.
5.2. Atualização dos sistemas de gestão
A Reforma exige que ERPs e PDVs estejam preparados para:
- calcular as novas alíquotas;
- emitir notas fiscais conformes ao IVA Dual;
- suportar alíquotas diferenciadas;
- lidar com variações regionais;
- aplicar regras de crédito tributário.
Varejistas que não atualizarem sistemas terão dificuldades na operação fiscal e no atendimento.
5.3. Precificação e margem
Com alíquotas diferenciadas e tributação no destino, redes e pequenos varejos precisarão revisar:
- margens;
- promoções;
- composição de preços;
- negociações com fornecedores.
A tomada de decisão se torna mais técnica, e mais dependente de dados.
6. Como o SysPDV ajuda o varejista nessa transição?
A tecnologia será o maior aliado do varejista na adaptação à Reforma Tributária.
O SysPDV, solução de automação da Casa Magalhães, facilita esse processo porque:
6.1. Agiliza o frente de loja
- Atendimento mais rápido no PDV;
- Emissão correta de NFC-e mesmo com novas regras fiscais;
- Integração automática com faturamento, estoque e financeiro;
- Suporte para múltiplas formas de pagamento.
6.2. Controla o estoque com precisão
- Contagem ágil e menos sujeita a erro;
- Redução de perdas e de desperdício;
- Reposição inteligente com base no consumo real;
- Maior controle sobre itens com alíquotas diferentes.
6.3. Oferece visão detalhada das vendas
- Acompanhamento em tempo real;
- Análise de ticket médio, categorias e horários;
- Identificação de produtos que mais giram (ou que estão parados);
- Base para decisões de margem e precificação.
6.4. Automatiza processos fiscais
- Obrigações fiscais sempre atualizadas;
- Documentos enviados automaticamente para o contador;
- Redução de erros com NCM, alíquota e regras fiscais;
- Menos risco de multas e autuações.
6.5. Dá suporte ao planejamento de compras
- Controle de custos por produto;
- Assistente de pedido de compras;
- Leilão de fornecedores;
- Previsibilidade para equilibrar margem e demanda.
7. O que supermercados do Simples Nacional precisam saber
Estabelecimentos enquadrados no Simples continuarão recolhendo de forma unificada, mas haverá mudanças importantes:
Split payment
Parte do valor das vendas será automaticamente direcionada para União, Estado e Município.
Isso altera:
- fluxo de caixa,
- conciliação,
- controle financeiro.
Aproveitamento de créditos
Empresas do Simples não terão créditos de IBS e CBS, exceto se optarem voluntariamente pelo regime de débito e crédito.
Isso exige análise estratégica:
- Quem compra muitos insumos pode se beneficiar da mudança;
- Quem vende majoritariamente para consumidor final deve manter o regime simplificado.
Locações passam a ser tributadas
Receitas de aluguel de imóveis comerciais, antes isentas, passam a sofrer incidência de IBS e CBS, alterando o custo final para o varejista e exigindo revisão contratual.
8. Quais os impactos da reforma tributária no ponto de venda?
O ponto de venda será um dos ambientes mais impactados pela Reforma Tributária.
Atualização do software de PDV
O PDV precisará refletir as novas regras fiscais em tempo real, exibindo corretamente o detalhamento do IBS e da CBS no cupom fiscal (NFC-e ou CF-e). Isso exige atualizações constantes de software, algo inviável de ser feito manualmente.
Mais informação para o consumidor
Com a transparência dos tributos, o consumidor passa a enxergar claramente o valor dos impostos pagos. Isso pode influenciar a percepção de preço e tornar ainda mais importante uma precificação correta e estratégica.
Menos retrabalho no médio prazo
Apesar do esforço inicial de adaptação, a unificação das regras tende a reduzir a complexidade da apuração e da declaração de impostos, diminuindo retrabalho e erros ao longo do tempo — desde que o sistema esteja preparado.
Impactos no controle de estoque e na gestão de créditos tributários
Crédito tributário mais amplo
O novo modelo amplia o direito a créditos ao longo da cadeia, reduzindo o efeito cascata dos impostos atuais. Para o varejo, isso significa:
- maior previsibilidade de custos;
- menos acúmulo de tributos invisíveis no preço;
- necessidade de controle rigoroso de cadastros e documentos fiscais.
Revisão de fornecedores, lotes e logística
Com novas regras de crédito, empresas tendem a revisar estratégias de compra, frequência de pedidos e tamanho de lotes. A gestão de estoque passa a ter impacto direto na eficiência fiscal do negócio.
Integração entre estoque e ERP
Sem integração entre controle de estoque, faturamento e fiscal, torna-se praticamente impossível mapear corretamente os créditos tributários e gerar relatórios confiáveis. A tecnologia deixa de ser opcional.
9. Como se preparar para 2026?
A reforma exige trabalho antecipado. Veja os principais passos:
1. Revisar toda a base de produtos
- Conferir NCMs;
- Aplicar corretamente alíquota zero, reduzida e padrão;
- Atualizar regras de crédito.
2. Revisar margens e precificação
- Testar cenários conforme destino da venda;
- Ajustar promoções;
- Simular o impacto das novas alíquotas
3. Atualizar sistemas
Essencial para não sofrer no início da vigência. PDV, ERP e controle fiscal precisam estar preparados para o IVA Dual.
4. Treinar a equipe
Operadores, líderes e administradores devem entender as mudanças básicas.
5. Contar com parceiros de tecnologia
Soluções como o SysPDV reduzem erros e automatizam processos, diminuindo o peso operacional da mudança.
A Reforma Tributária tem o potencial de facilitar a vida do varejista no médio prazo, reduzindo burocracia e tornando a tributação mais transparente. Mas, no curto prazo, exige planejamento, atualização e revisão interna.
Supermercados, mercadinhos e padarias que começarem essa adaptação agora estarão à frente em 2026.
O segredo é unir conhecimento + tecnologia, e contar com sistemas de gestão capazes de lidar com as novas exigências tributárias.
A Casa Magalhães, com o SysPDV e suas soluções integradas, está ao lado do varejista para simplificar, organizar e dar segurança a essa transição.
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